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TEMPO DE ENCANTO,
João Pessoa: Editora
Universitária, 2004

ALQUIMIA DA VIDA

          Regina Lyra é uma poetisa encantadora e encantada. Conhecemo-nos num encontro rápido em evento cultural na cidade do Rio de Janeiro. Foi o suficiente para me enamorar da poetisa e de seus poemas. Seus versos falam do amor, das amizades, da vida, do verbo e dos demônios que nos atemorizam. Mas falam, sobretudo, do amor, esta chama eterna que move o mundo e norteia os passos da Humanidade.
          O encanto e o desencanto do amor constituem a tônica dos seus versos. Em seu novo livro Tempo de Encanto, a autora afirma em Acontece: "A flor do pecado / ama e acalma, / depois deixa louca / - sem calma".
          Sua sensibilidade aflora à flor da pele, em cada palavra, em cada verso. Ousada, solta suas emoções em seu versejar. Ela mesma confessa: "Sinto cada toque / Sinfonia de Beethoven, / no canto do beija flor".
          O verbo é o forte dessa poetisa. Usa as palavras com precisão e com economia de quem sabe o tempero dos bons poemas. E canta a vida e canta o amor, Mas, também denuncia as mazelas do homem em a Cidade bela com seus problemas sociais, o abandono da periferia e a população marginalizada...
          O erotismo em Regina Lyra é algo permanente, pulsante, estonteante. Não o erotismo banal, mas aquele próprio da gênese do ser humano.
          Traduz beleza poética, síntese da vida e da vivência desde o princípio até o final dos tempos – a perfeição da natureza.
          Enfim, Regina Lyra é uma alquimista do versejar de qualidade. Na alquimia da vida, na intensidade dos raros perfumes literários, na mistura dos feromônios x & y é capaz de transforma-los no melhor afrodisíaco jamais inventado.
          Tempo de Encanto é nada mais, nada menos que um livro de poesia impregnado de sinfonia musical - daqueles concertos raramente audíveis nos tempos modernos.

          É ler e conferir.

          Vila de Noel, RJ, 25 de abril de 2004.

Edir Meirelles
Poeta, contista e romancista.
Atual presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro.


BREVIDADE - Regina Lyra


Momento circunspeto,
abrigo das conquistas
diárias

Tomando a forma
de paz

Em ato amoroso,
suave,
concreto se desfaz

 

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